a A Autocontraste

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20.10.2017

Perfil Johann – Márcio Sanchez

Por Cristiana Lobo

Imaginem a cena. Há seis anos, 12 cantores do coro do Theatro Municipal são barrados no célebre Baile do Copa, que acontece uma vez por ano durante o Carnaval, porque esqueceram de confirmar presença. Resultado, vão todos fantasiados para a casa de Márcio, no posto 6 de Copacabana, para tocar, cantar e se divertir entre amigos. Os vizinhos adoraram e pela janela havia quem pedisse “cantem aquela do Verdi!”

Assim começou a tradição do Baile do Copinha, que ele passou a fazer em casa com a família e amigos todos os Carnavais, desde então. A história dá uma ideia da personalidade do violinista, que cresceu em uma casa de músicos em Florianópolis, com festas frequentes e mesa farta com pratos como bacalhaus, tapas e paellas preparados pela mãe de descendência espanhola.

Márcio tem uma longa trajetória musical e já atuou em diversas orquestras, hoje é violinista da Johann Sebastian RioOrquestra Petrobras Sinfônica e Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

A música é uma tradição na família de Márcio, seus quatro irmãos também são músicos profissionais. O avô já tocava violino e ensinou ao pai deles, que mesmo exercendo a medicina estimulou o aprendizado musical desde cedo em casa e despertou a paixão pela arte. Márcio lembra que ganhou seu primeiro disco de Béla Bartók, pianista e compositor húngaro, quando era criança e que subiu ao palco pela primeira vez ao lado do pai, aos 8 anos, tocando bandolim em um Clube de Floripa.

Apenas aos 18 anos, ele decidiu levar a música como profissão. Até então, dedicava-se à escola e ao esporte. Chegou a ser atleta, conquistar medalhas de atletismo e handebol e também foi recordista catarinense de salto a distância 100 m rasos.  Ganhou até menção honrosa da prefeitura como atleta destaque. Atualmente, corre na praia quando pode e uma vez por ano, em média, faz uma peregrinação por caminhos santos como o Caminho dos Anjos, na Serra do Papagaio, em Minas Gerais.

Do esporte ficou a disciplina, o gosto por atividades físicas, que mantém até hoje, e a gastronomia, que começou quando ele aprendeu a fazer massa com um amigo italiano do time de handball. Após as partidas, a macarronada ao sugo virou uma tradição entre os jogadores. De lá para cá ele cozinha sempre que tem tempo livre, busca novas receitas e temperos. Seus pratos já se tornaram uma tradição entre amigos e familiares.

Mas foi em Campinas, São Paulo, que ele iniciou os estudos profissionais da música, ainda aprendeu teatro e assistiu aulas de filosofia do direito, na PUC. Suas leituras vão da arte e da poesia aos temas humanistas como antropologia e sociologia.  Foi professor, coordenador do Núcleo de Cordas e regente da Orquestra de Câmara do Conservatório Carlos Gomes, em Campinas.

Em 1998, viajou para estudar na Academia de Música Franz Liszt de Budapeste, na Hungria. Ficou por lá cerca de seis meses, viajou por vários países, conheceu a diversidade musical e gastronômica e se apresentou em vários teatros. Excursionou com o Quarteto Darcos e Juvenil do Mercosul em turnês pela Europa, EUA, México, Argentina e Brasil.

A longa trajetória já rendeu diversos prêmios. Ele ganhou o primeiro lugar no Concurso de Música de Câmara “Cidade de Araçatuba”; Medalha Carlos Gomes, concedida pela Prefeitura de Campinas; Prêmio Estímulo da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo e o Troféu Qualidade Brasil “Vitória Alada”. Recebeu Bolsa Fundação Vitae – Curso de Alta Interpretação Camerística com o professor Chaim Taub e Bolsa Fundação Vitae-Antorchas – Camping Bariloche (Argentina).

Estudante de ópera, que considera seu hobby, ele é tenor e casado com uma cantora de ópera. E nas poucas horas ou dias de intervalos entre apresentações e ensaios é que ele consegue reunir dois de seus passatempos preferidos: cozinhar e cantar. Pense em um nhoque de batata sendo preparado ao som da ária do Conde de Almaviva, do Barbeiro de Sevilha, de Rossini. Parece cena de filme, mas na casa de uma contralto e um tenor violinista essas coisas acontecem com uma certa naturalidade.