a A Autocontraste

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25.04.2017

Perfil Johann – Rodrigo Favaro

Por Cristiana Lobo

 

Rodrigo Favaro é contrabaixista da Johann Sebastian Rio , da Orquestra Sinfônica Da UFRJ e é solista de contrabaixo da Orquestra Sinfônica Brasileira, além de integrante do sexteto Fábrica Orquestra.

Ele nasceu e morou com a família em Ponta Grossa, no Paraná, até o final da adolescência. Foi no clima bucólico da cidade da infância que começou a se interessar por música. Aos 5 anos de idade, caminhando pela rua, viu uma placa anunciando aulas de piano e pediu para estudar. Na época, já sabia ler, aprendeu com a mãe que era professora e o incentivou a praticar seu primeiro instrumento.

Um dia, quando tinha cerca de 10 anos e sem muitos discos em casa, o irmão mais velho apareceu com o Sgt. Pepper’s dos Beatles. O fascínio pelo álbum funcionou como um “chamado”. Com ele aprendeu a tocar violão, a gostar de rock e até a “praticar” bateria no sofá de casa.

Na adolescência, entre suas preferências musicais destacavam-se o contrabaixista americano Charles Mingus, o trompetista Chet Baker e os brasileiros João Gilberto, Tom Jobim e Milton Nascimento. Foi também nesse período que surgiu o interesse pela música de concerto e quando decidiu conhecer de perto a Orquestra Sinfônica Cidade de Ponta Grossa. Recebido pelo violinista e multi-instrumentista Eduardo Strona, um imigrante polonês, o então novo professor declarou “Você vai tocar contrabaixo, pode voltar aqui amanhã”. Naquele momento, Rodrigo já estava seguro de que a música seria a sua atividade profissional. Com a boa base adquirida anteriormente, aprendeu com facilidade o instrumento.

Concluído o ensino médio, Rodrigo partiu para São Paulo cursar a graduação em música na UNESP. Lá conheceu alguns de seus atuais colegas de orquestra, como o também “Johann” Marco Catto, violista da Johann Sebastian Rio. Durante a vivência na capital paulista, integrou a Orquestra Experimental, com a qual teve a chance de tocar com Wynton Marsalis e a Lincoln Center Jazz Orchestra.

Após a formatura, veio o convite do professor Francesco Petracchi para cursar mestrado em contrabaixo na HEM, em Genebra. A experiência na Suíça acabou se estendendo por quase uma década e lhe permitiu entrar em contato com um universo extremamente rico musicalmente, dentro e fora dos limites do conservatório. Tocou com ícones do tango como Luis Stazo, fundador do Sexteto Mayor, e Daniel Marcucci; participou de turnês com Les Solistes De Geneve; gravou com Les Solistes de Lyon e o organista Diego Inoccenzi, participou  grupos de música contemporânea e tocou em diversos festivais como Montreux Jazz Festival, entre outros.

O vínculo com o país se mantém até hoje e uma vez por ano Rodrigo integra o grupo Tango Sensations, Orquestra de Câmara de Genebra, e Suisse Romande, orquestra onde atuou em diversas temporadas.

Hoje mora no Rio, “sempre quis morar em uma cidade de praia, soube da vaga na OSB quando estava em Genebra e vim fazer a prova”. Em terras cariocas, escolheu morar em casa em de vila, em Botafogo. O timbre grave e discreto do contrabaixo foi bem-recebido pelos vizinhos e deu um tom especial ao ambiente sossegado. Por aqui, já dividiu palco com Paulinho da Viola e com seu baixo elétrico tocou com Legião Urbana, Lenine, Gal Costa, Caetano Veloso e Djavan.

Aprendeu pela internet a fazer cerveja artesanal e de vez em quando faz um pão de fermentação natural com receita de família. Nas estantes de casa estão desde biografias de músicos até livro de poesia de Paulo Leminski. Nas horas vagas, que são escassas, assiste a filmes online, é um “alucinado por cinema” e cliente assíduo da remanescente locadora Cavídeo.