a A Autocontraste

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24.01.2017

Perfil Johann – Daniel Albuquerque

Por Cristiana Lobo

Daniel Albuquerque é o mais recente integrante da Johann Sebastian Rio, ele também é violista da Orquestra do Theatro Municipal e do Quarteto da Guanabara, além de violinista da OPES.

Daniel não sabe dizer ao certo em que momento de sua infância vivida nos anos 80, no subúrbio do Rio, começou a paixão pelo violino. Mas o ambiente a sua volta era propício. Em casa, cresceu cercado pela influência do pai, um engenheiro que nas horas vagas tocava piano, violão e adorava música clássica e mpb. Sua mãe cantava no coral da igreja frequentada pela família e em outros grupos. Outra lembrança marcante  eram os vinis de sua vó, que iam de Roberto Carlos a orquestras de violinos interpretando temas ciganos.

Mas foi o grupo de crianças que tocava violino na igreja que inspirou Daniel, na época com 5 anos, a escolher o instrumento e iniciar seus estudos pelo método Suzuki.

Sua irmã mais velha fazia aulas de piano e mais tarde optou pelo violoncelo. O apoio dos pais foi essencial na trajetória musical de ambos. Até hoje, a família sempre que pode se apresenta como o Trio Albuquerque, com o pai ao piano, Daniel no violino e viola e sua irmã no violoncelo. Em geral, eles escolhem repertório sacro com arranjos de hinos.

A irmã tornou-se professora de música e Daniel concluiu, em 2010, o bacharelado em violino pela UFRJ. Durante a faculdade, encantou-se também pelo som da viola – instrumento similar ao violino porém com um timbre um pouco mais grave e tamanho ligeiramente maior. Sua trajetória profissional na viola começou de forma inesperada. Seu professor telefonou nas primeiras horas de 2010 para desejar um feliz ano novo e convidá-lo para atuar como violista no Quarteto da Guanabara.

A dedicação à música ocupou quase todo seu tempo e atividades como o parapente e a prática do jiu-jitsu ainda estão na sua lista de assuntos pendentes. Hoje, Daniel tem uma agenda repleta de apresentações e ensaios. E, desde de março de 2016, dedica-se também a ser pai de primeira viagem do pequeno Mathias. Segundo ele, “experiência indescritível”.

Além de atuar como músico, Daniel tem se dedicado também à gravação de áudio de concertos – um hobby que ao longo do tempo se transformou em atividade complementar.

Ele começou fazendo gravação e edição de áudio para o Quarteto da Guanabara e gostou da função. Com o tempo investiu em equipamentos como interfaces de gravação digital, microfones e pré-amplificadores. Estudou por conta própria, fez alguns cursos e hoje grava e edita o áudio de concertos, solos de amigos com orquestras e apresentações de grupos de câmara.

Na Johann, Daniel fez a gravação, edição e masterização de diversos vídeos e do Sarau da orquestra que aconteceu no ano passado, na Sala Cecília Meireles. Ele valoriza a interpretação original e cuida para que o som captado seja o mais fiel possível às características reais dos respectivos instrumentos. Após mixar e masterizar o áudio, envia para o diretor de vídeo. É um trabalho conjunto que exige apuro técnico e conhecimento musical. O resultado é uma trilha sonora de alta qualidade.

Por falar em trilha, no seu fone de ouvido está uma seleção bem eclética que vai das aberturas das óperas de Wagner e quartetos de cordas de Beethoven a Ben Harper e Bob Marley. Mas desta vez o objetivo é entreter o percurso que ele faz com sua Harley e o grupo de motociclistas músicos eruditos que ele encontrou. Um novo hobby adquirido há três anos, que permite se desligar um pouco da rotina quando a vida dá uma brecha.